Zeca Afonso ou une voix de l’émigration portugaise / Zeca Afonso ou uma voz da emigração portuguesa

José Afonso, connu comme Zeca Afonso, né en 1929 et mort en 1987, est un chanteur portugais célèbre pour sa musique qui s’oppose au régime Salazarien. D’autant plus, l’une de ses chansons « Grândola, vila morena » fut le signal donné pour la révolution des Oeillets, en 1974, contre Marcelo Caetano (successeur de Salazar à partir de 1968). Tout au long de sa carrière, ses œuvres évoquent l’opposition d’une vie contre une dictature.

En 1970, le Portugal est encore en pleine dictature, elle se terminera 4 ans plus tard, le 25 avril 1974. À cette époque, le Portugal est le pays européen le plus pauvre, en effet l’empire dilapide toutes ses richesses dans des guerres coloniales, dans le seul but de garder l’image d’un empire conquérant et montrer son pouvoir. Quand Afonso écrit la chanson «Canção do desterro», que l’on pourrait traduire par la chanson du déracinement, de l’exil, il évoque le voyage en bateau pour partir de cette pauvreté.

Dans cette chanson il y a notamment les prières d’une vieille femme qui espère que les migrants survivent sur ce bateau. Qui plus est, beaucoup de portugais, obligés d’émigrer, se demandaient où ils allaient mourir et s’ils auraient une sépulture décente, une question qu’exprime Afonso dans sa chanson. Cette chanson est, notamment, utilisée comme générique du documentaire «La photo déchirée», de José Vieira. Ce dernier ayant vécu lui-même cette immigration, retrace les terribles «Odyssées» de ces portugais devant partir pour survivre.

3 ans plus tard, une autre chanson appelée « Adeus ó serra da Lapa» nous témoigne de l’immigration portugaise.

La “Serra da Lapa” se situe sur la frontière entre Trás-os-Montes et la Beira Alta, dans le Nord du Portugal. A l’époque de Salazar, c’était une région très pauvre. Qui voulait en finir avec la misère, pouvait traverser la frontière avec l’Espagne, mais cela était très dangereux. La chanson évoque, les passeurs qui étaient les “guides” pour traverser les frontières. Afonso chante « Mon argent compté est pour qui va m’emmener» (o meu dinheiro contado é para quem me levar) les passeurs deviennent des compagnons que l’on paie pour un service. Plus tard dans la chanson il évoque le “saut” (émigration clandestine, le passage des frontières), avec “je veux aller de l’autre côté” (eu quero ir ao outro lado). Une lutte continuelle pour la survie est exprimée, de plus «mes compagnons d’aventures», parle des personnes qui partent et même celle qui restent. Effectivement dans les langues latines, le mot aventure est composé de la préposition “a”- et de -”ventura”, synonyme de la chance, donc si ils sont chanceux ils pourront survivre à la clandestinité, que ce soit pendant leur exile ou au Portugal, où la pauvreté tue .

Dans une thématique plus politique, « Vejam Bem », sortie en 1968, parle de la vie de l’opposant, contraint parfois aussi à l’exile pour sa survie. Il faut savoir que dans un régime totalitaire, toute forme d’expression est interdite. Ainsi Afonso évoque « [les nuits] à la belle étoile » (dorme à noite ao relento na areia), montrant la solitude des opposants dans leur combat. Il évoque aussi les tortures subies. D’une manière subtile, il parle de «statue»: pour l’une des tortures les plus utilisées par la PIDE, la victime doit rester debout pendant des heures sans bouger, sans manger, sans boire, immobile comme une statue. Toujours dans la thématique de l’immigration portugaise, le cinéaste Robert Bozzi a utilisé cette chanson dans son «Les gens des baraques», documentaire où il essaye de retrouver un enfant portugais qu’il avait pris en photo dans le bidonville de Paris, où la plupart des immigrés clandestins vivaient. Bozzi a aussi utilisé, comme générique de ce documentaire, une autre chanson de Zeca Afonso « Maria Faia»,  qui accompagne des tâches d’agriculture, “Faia” étant lié au travail dans les champs. Cette chanson est sur les paysannes de Malpica (Beira Baixa).

Zeca Afonso, par sa musique engagée, a apporté de l’espoir et malgré les risques n’a jamais cessé de dénoncer ce régime, où Salazar maltraitait le peuple portugais l’obligeant très souvent à l’émigration.

Texte en français par : Tanguy Everard

Traduction en portugais de : Cherif Thiam

 

Sources consultées :

  • Source de l’image :

Luso.fr

  • Pour l’article:

Lusitanie.info

fr.wikipedia.org

Antiwarsongs.org

Aja.pt

Centrefrancoportugais.com

Lemonde.fr

 

José Afonso, conhecido como Zeca Afonso, nascido em 1929 e falecido em 1987, é

um cantor português famoso pela sua música de oposição ao regime salazarista.

Uma das suas canções, por exemplo, « Grândola, vila morena » foi o sinal dado para

a Revolução dos Cravos, em 1974, contra Marcelo Caetano (sucessor de Salazar a partir de

1968). Ao longo da sua carreira, as suas obras evocam a oposição de uma vida contra

uma ditadura.

Em 1970, Portugal ainda está a subir a ditadura que se terminará 4 anos depois, no dia 25 de abril de 1974. Naquela época, Portugal é o país europeu mais pobre, na verdade o

império gasta toda a sua riqueza em guerras coloniais, com o único propósito de

manter a imagem de um império conquistador e mostrar seu poder. Quando Afonso

escreve a « Canção do desterroCanção do desterro« , que poderia ser traduzida como “canção do desenraizamento, do exílio”, ele evoca as travessias de barco para deixar esta pobreza. Nesta canção encontramos, nomeadamente, as orações de uma velha que espera que os migrantes sobrevivam no barco.

Além disso, muitos portugueses, obrigados a emigrar, perguntavam-se onde iriam

morrer e se teriam uma sepultura decente, uma questão que Afonso expressa nesta

música. Esta canção é, em particular, usada como trilha sonora do documentário « La photo déchirée » (“A fotografia rasgada”), de José Vieira. Este último, tendo vivido esta imigração, relata a terrível « Odisseia » dos portugueses que partiram para sobreviver.

Três anos depois, outra música chamada “Adeus ó serra da Lapa atesta a imigração portuguesa. A « Serra da Lapa » está localizada na fronteira entre Trás-os-Montes e

Beira Alta, no norte de Portugal. Na época de Salazar, era uma área muito pobre.

Quem queria acabar com a miséria, podia ultrapassar a fronteira com a Espanha, o que

era muito perigoso. A canção evoca os passadores que eram os « guias » para

atravessar as fronteiras. Afonso canta « O meu dinheiro contado é para quem me

levar » (contrabandistas de contrabandistas de esposa), os passadores tornam-se companheiros que são pagos por um serviço. Mais tarde na música ele evoca o « salto » (emigração clandestina, o atravessamento das fronteiras), com « eu quero ir ao outro lado ».

Uma contínua luta pela sobrevivência é expressa, além disso em

« meus companheiros de aventuras », onde se fala das pessoas que partem e até daquelas

que ficam. De fato, nas línguas latinas, a palavra aventura é composta da

preposição « a » – e de – « ventura » sinônimo de sorte, por isso, se tiverem sorte, os companheiros poderão sobreviver à clandestinidade, seja durante o exílio ou em Portugal, onde a pobreza mata.

Outra música com um assunto mais político, « Vejam Bem« , lançada em 1968, fala da vida dos que se opõem ao regime, às vezes também forçados ao exílio pela sua sobrevivência. Deve-se saber que durante um regime totalitário, qualquer forma de expressão é proibida. Assim Afonso evoca « [as noites] sob as estrelas » (“dorme à noite ao relento na areia”), mostrando a solidão dos militantes anti-regime nas suas lutas. A música também evoca as torturas sofridas. De maneira sutil, Zaca Afonso fala de « estátua »: para uma das torturas mais utilizadas pela PIDE, a vítima devia permanecer em pé por horas sem se mexer, sem comer, sem beber, imóvel como uma estátua. O cineasta português Robert Bozzi também usou essa música no seu « Les gens des baraques », documentário no qual ele tenta encontrar um português que ele tinha fotografado cuando bebé num bairro de lata de Paris, onde a maioria dos imigrantes ilegais viviam. Bozzi também usou « Maria Faia« , de Zeca Afonso, canção que acompanha as tarefas agrícolas, como música final para este documentário.

« Faia » está ligada ao trabalho nos campos. Esta música é sobre os camponeses de Malpica (Beira Baixa). Zeca Afonso, através da sua música empenhada, trouxe esperança e apesar dos riscos nunca deixou de denunciar a ditadura portuguesa, onde Salazar abusou do povo

português forçando-o a emigrar muitas vezes.

Texto em francês de: Tanguy Everard

Tradução em português de: Cherif Thiam

Publicités

Répondre

Entrez vos coordonnées ci-dessous ou cliquez sur une icône pour vous connecter:

Logo WordPress.com

Vous commentez à l'aide de votre compte WordPress.com. Déconnexion /  Changer )

Photo Google

Vous commentez à l'aide de votre compte Google. Déconnexion /  Changer )

Image Twitter

Vous commentez à l'aide de votre compte Twitter. Déconnexion /  Changer )

Photo Facebook

Vous commentez à l'aide de votre compte Facebook. Déconnexion /  Changer )

Connexion à %s